Jorge Jesus o idiota comete suicídio profissional.

Nem Jesus Cristo conseguiu unanimidade”, disse um dia Felipão, após uma convocação qualquer. Imaginem só Jorge Jesus, depois do que disse hoje. Após o exemplar abandono de campo promovido por jogadores do PSG e do Istanbul Basaksehir, ontem, na Liga dos Campeões, o atual técnico do Benfica foi questionado sobre o tema.

“Bem, eu não sei… não estava lá. Não sei o que aconteceu, o que se falou, o que se diz, mas hoje está muito na moda isso do racismo. Como cidadão tenho direto de pensar à minha maneira e só posso ter uma opinião concreta se souber o que se disse naquele momento. Porque hoje qualquer coisa que se possa dizer contra um negro é sempre sinal de racismo. Se se pode dizer-se o mesmo contra um branco, já não é sinal de racismo. Está-se a implantar essa onda no mundo… “

Jorge Jesus, como não poderia deixar de ser, está sendo massacrado nas redes sociais portuguesas e na mídia europeia. O discurso dele é velho conhecido. O racismo disfarçado de simples “passada de pano”. Desconfie de todo branco que bradar sobre “racismo invertido”. O discurso de Jorge Jesus poderia muito bem ter sido reproduzido por Donald Trump ou outros presidentes por aí, seja de Repúblicas, seja de “Nações”, se é que vocês me entendem. Talvez isso explique por que Jesus tenha se sentido tão em casa por essas bandas, onde o racismo é estrutural e sufocante, enquanto na Europa ele existe, está lá, mas de forma mais velada e hipócrita. Jorge Jesus não foi embora do Brasil por causa da pandemia, como muitos inocentes acreditam. Foi embora porque ele se acha bom o suficiente para estar em um clube importante, da primeira prateleira europeia, tipo Real Madrid, Barcelona, Premier League. E percebeu que poderia ganhar tudo no Flamengo que não adiantaria. Ele precisava da exposição da Champions League, estar no mercado da elite. O primeiro tropeço veio com a não classificação do Benfica para Champions, eliminado pelo Paok, vejam só, de um tal Abel Ferreira – não, Jesus não é o único técnico português bom por aí.

O segundo tropeço, e acho que definitivo, vem agora, com o que Jesus acaba de dizer sobre racismo. Ele acaba de fechar completamente as portas para a Europa – ou pelo menos para a elite da qual ele acha que deveria fazer parte. Eu não me espantaria nem mesmo se o próprio Benfica tomasse uma atitude. Jorge Jesus é muito bom no que faz. Já mostrou isso em Portugal e mostrou isso aqui no Brasil, onde foi importante para abrir os olhos de muita gente e nos mostrar o quão atrasados estamos em alguns aspectos do esporte. Mas não basta ser bom nem ótimo. Nos dias de hoje, somos um pacote completo. Nossas virtudes e defeitos estão escancarados para todos verem.

Jesus sempre terá as portas abertas aqui no Brasil, por exemplo, até porque aqui os passadores de pano seguem no comando de quase tudo. O que ele disse hoje, no entanto, irá sempre assombrá-lo em mercados como o inglês. Há coisas que achamos e há coisas que falamos. Eu mesmo, com este texto, certamente estou fechando portas. É possível que nunca entreviste Jorge Jesus na minha vida por chamá-lo de idiota. São decisões que tomamos, caminhos que traçamos, escolhas que fazemos.

Espero que a repercussão faça Jorge Jesus refletir. É sempre possível deixar de ser racista, deixar de ser idiota. O tempo e o intercâmbio de ideias e impressões nos fazem ver coisas em nós mesmos que não víamos. Há os que preferem viver em negação, há os que preferem evoluir. Eu tento fazer parte do segundo time…. – Veja mais em https://www.uol.com.br/esporte/colunas/julio-gomes/2020/12/09/jorge-jesus-o-idiota-comete-suicidio-profissional.htm?cmpid=copiaecola