Cientistas descobrem por que Stonehenge é tão resistente.

Um dos mais intrigantes monumentos do mundo é Stonehenge, localizado no sul da Inglaterra. Os enormes blocos de pedra em um padrão circular, empilhados por alguma civilização pré-histórica, são alvo de curiosidade e mistério. E por que a estrutura continua em pé após milhares de anos? Parece que cientistas conseguiram decifrar pelo menos esse entre seus segredos.

A resposta está na composição geoquímica das rochas. De acordo com uma recente pesquisa, elas são constituídas por 99,7% de cristais de quartzo, material extremamente durável e resistente à erosão e ao intemperismo — tornando-as quase indestrutíveis.

As pedras gigantes, também conhecidas como megalitos ou sarsens, chegam a ter sete metros de altura e pesar 30 toneladas. O estudo foi publicado na revista Plos One.

O que rolou? Bom, não é possível retirar amostras do monumento, que é protegido. Para chegar aos resultados, os pesquisadores contaram com um raro fragmento que foi cuidadosamente escavado em 1958, durante um trabalho de reparo para reerguer três blocos que haviam caído. A pedra número 58 precisou ser perfurada e reforçada com uma haste de metal.

Na época, foi preciso remover três cilindros do núcleo da pedra, de cerca de 1m de comprimento e 2,5 cm de diâmetro. Um desapareceu, um pedaço de outro foi encontrado recentemente na coleção de um museu, e o terceiro foi dado de presente a um dos homens que realizaram o serviço: o cortador de diamantes Robert Phillips, que o levou para os Estados Unidos.

 

Sessenta anos depois, em 2018, pouco antes de sua morte, ele devolveu a relíquia ao Reino Unido, para ser estudada em busca das origens de Stonehenge. “Ter acesso ao núcleo perfurado da pedra 58 foi o Santo Graal para nossa pesquisa”, disse o coautor David Nash, professor da Universidade de Brighton, em um comunicado. “É extremamente raro, como cientista, ter a chance de trabalhar em amostras de tamanha importância nacional e internacional.”.

Em metade da amostra, os cientistas fizeram cortes e testes destrutivos. Também foram realizadas análises microscópicas, de raio-x e tomografias computadorizadas no “Núcleo de Phillips”, como ficou conhecido, e na amostra que está no Museu Salisbury, na Inglaterra.

 

Eles encontraram uma enorme quantidade de minúsculos grãos de quartzo, arranjados em uma matriz incrivelmente forte, como um mosaico de cristais interligados e entrelaçados. “Me pergunto se os construtores de Stonehenge poderiam saber algo sobre as propriedades das pedras, e não apenas escolheram apenas os blocos maiores e mais próximos, mas também aqueles que tinham maior probabilidade de resistir à passagem do tempo”, disse Nash ao site Science Alert.

Por que é importante? De acordo com o estudo, as pedras são silcretos formados, principalmente, por depósitos de sedimentos durante o Período Paleogeno (66 a 23 milhões de anos atrás). Mas também há fragmentos da era Mesozóica (252 a 66 milhões de anos atrás, quando os dinossauros habitavam a Terra), e ainda mais velhos, do Mesoproterozoico (1 a 1,6 bilhão de anos atrás).

Do ponto de vista geoquímico, a pedra 58 é igual a 50 dos 52 blocos remanescentes — ou seja, as descobertas valem para quase todo o monumento. Com essa “impressão digital”, foi possível confirmar que elas vieram de uma região conhecida como West Woods, em Marlborough, a cerca de 25 km do monumento.

Ao que tudo indica, Stonehenge foi erguido em etapas, entre 4.500 e 5.000 anos atrás, e era usado para rituais religiosos e observações astronômicas.