Análise: PSG quer tirar Messi do Barcelona e tem muito mais do que dinheiro para oferecer

O trabalho de sedução do PSG para levar Messi à romântica Paris está em curso. Para isso, o argentino precisará terminar um longo caso de amor com o Barcelona, algo que pareceu iminente ao fim da temporada passada. O clima ficou mais ameno, o craque decidiu cumprir seu contrato por completo. Mas a data de expiração de 30 de junho de 2021 coloca Messi em um momento de decisão. O PSG se mostra um destino muito atraente.

Messi está com 33 anos. A genialidade segue indiscutível, mas não se sabe por quantos anos Messi desfilará sua magia pelos gramados. Uma negociação agora tende a trazer o último grande contrato relevante da carreira do camisa 10. Segundo o repórter Marcelo Bechler, da TNT Sports, o PSG pretende oferecer um vínculo de dois anos, que pode ser estendido por mais um.

Nessa tomada de decisão, há elementos financeiros, claro. Mas os argumentos a favor do PSG vão muito além do que dinheiro no bolso. Algo que, dá para supor, Messi não sente falta a essa altura da vida.

 

O que Messi alcançou em Barcelona talvez seja inigualável. Não só em termos de idolatria. O tratamento é de divindade e os feitos justificam isso: um garoto formado na base, produto da filosofia de jogo do clube, que foi o maior símbolo uma era muito vencedora. Acrescente-se a isso performances individuais memoráveis, de uma figura que dominou o futebol mundial ao lado de Cristiano Ronaldo por mais de uma década. O português ganhou quatro Champions League no Real Madrid, mas passa longe da relação que Messi construiu no Barcelona.

Mas o próprio Messi indicou, na crise escancarada em setembro de 2020, que se cansou desse ambiente. Obviamente o clube ainda era presidido por Josep María Bartomeu, que virou persona non grata no Camp Nou e renunciou. O novo presidente, Joan Laporta, tem como projeto pessoal manter Messi onde está. De todo modo, o cenário em Barcelona continua difícil para quem tem ambição de voltar a ser dominante na Europa.

E é justamente o plano do PSG a curtíssimo prazo. Em Paris, inclusive, a visão é que isso já deveria ter acontecido, diante do investimento feito nos últimos anos.

Questão econômica

Mais do que um grande salário, custeado pelos petrodólares do governo do Qatar (que já patrocinou o próprio Barcelona anos atrás), o Paris Saint-Germain, consequentemente, pode dar a Messi uma estrutura melhor para levantar troféus e companheiros mais preparados para isso.

Dinheiro não é problema, mas uma catapulta para esse projeto de sportswashing do qual também faz parte a organização da Copa do Mundo de 2022. O Fair Play Financeiro da Uefa que lute para controlar o limite do que, legalmente, pode entrar no clube a título de “patrocínio”.

Esse aparente saco de dinheiro sem fundo à disposição do PSG contrasta com a crise econômica do Barcelona. Tudo mais agravado pela pandemia. Por mais que o Barça ainda tenha o maior faturamento do mundo – 713 milhões de euros na temporada passada -, o balanço financeiro dos catalães aponta um aperto por causa das dívidas. A curto prazo, o passivo descoberto – uma medição de quanto o clube deve, menos o que tem em caixa – apontava endividamento de 572 milhões de euros.

 

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