Trânsito de Brasília matou 17 ciclistas entre janeiro e outubro

Entre janeiro e outubro deste ano, 17 ciclistas perderam a vida nas vias do Distrito Federal. Especialistas defendem redução no limite de velocidade e falam sobre a necessidade de investimento em infraestrutura

início da pandemia do novo coronavírus no Distrito Federal reduziu o fluxo de veículos pelas vias, o que impactou na queda do registro de óbitos no trânsito em 56%. Contudo, a redução no número de mortes de ciclistas foi de apenas 10%. Entre janeiro e outubro deste ano, 17 desses usuários perderam a vida no tráfego, contra 19 em igual período de 2019, segundo dados do Instituto de Medicina Legal (IML).

Em 10 de outubro, o ciclista Renato Campelo Aragão, de 58 anos, morreu após ser atropelado na 704 Norte. O motorista, um servidor público, fugiu do local sem prestar socorro. Ele se apresentou à 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) 10 dias depois, e foi liberado. No acidente, o acusado também feriu uma amiga da vítima, a pedagoga Nádia Bittencourt, 55, que desmaiou com o impacto da colisão. Era uma das primeiras vezes que a mulher saía para pedalar desde a quarentena.

“Saí naquele dia com muita preocupação. Por ser noite e pela falta de iluminação na ciclovia, decidimos seguir pela pista. Enquanto andávamos, pedi ao Ricardo para que ele pedalasse atrás de mim, para que ele não ficasse tão exposto na via. Ele passou a me seguir e, em alguns minutos, quando olhei no retrovisor, pude perceber um carro vindo em nossa direção. Não consegui falar nada, pensei que estava delirando. Apaguei e acordei achando que tinha levado um tombo sozinha, mas Ricardo já estava sem respirar”, relembra. Nádia sofreu escoriações pelo corpo e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, acionado por um condutor que é testemunha do acidente.